Apesar
de nascida Divina, Sudhamani passou os anos de sua infância
e adolescência em intensa prática espiritual de maneira
a dar um exemplo vivo ao mundo. Mesmo quando criança, ela era
freqüentemente encontrada absorta em meditação
profunda, totalmente esquecida do que se passava ao seu redor. Aos
cinco anos de idade, ela já havia começado a compor
músicas de devoção ao Senhor Krishna, que transbordavam
de comovente saudade e, freqüentemente, carregavam profunda introspecção
mística. Ela abria seu coração e sua alma nessas
melodias, em extremo esquecimento de si, e sua doce voz tornava-se
fonte de imensa alegria para os aldeões.
Quando
Sudhamani tinha nove anos de idade, sua mãe ficou muito doente
e todo o trabalho doméstico e de cozinha caíram sobre
seus ombros, forçando-a a largar o colégio. Sudhamani
fazia o trabalho extenuante, sem sombra de queixa, alegremente oferecendo
cada momento de suas longas horas de trabalho e preces ao Senhor.
Ela aceitava de bom grado todo obstáculo, cada maltrato que
recebia de sua família, e encontrava refúgio em seu
amado Sri Krishna. Mesmo com seu dia de trabalho terminando à
meia noite, ao invés de cair no sono, ela passava o resto da
noite meditando, cantando e rezando.
Outra
qualidade que era claramente manifesta em Sudhamani nessa tenra idade
era seu amor e compaixão pelos seres humanos. Como parte de
seus afazeres domésticos, Sudhamani freqüentemente visitava
as casas da vizinhança para coletar restos de comida para as
vacas da família. Ali, ela escutava pacientemente as narrativas
de desgraças contadas especialmente pelos mais idosos, que
freqüentemente eram maltratados pelos filhos e netos. Através
das histórias deles, Sudhamani observava que as mesmas pessoas
que quando crianças haviam rezado pela saúde e longevidade
de seus pais, passavam a maldizê-los quando velhos e enfermos.
Ela via que o amor terreno sempre tinha um motivo egoísta subjacente
e era volúvel e limitado.
Apesar
de ser apenas uma criança, Sudhamani fazia o que estava ao
seu alcance para aliviar o sofrimento de seus vizinhos idosos. Ela
os banhava, lavava seus pertences e trazia para eles comida e roupa
de sua casa. Esse hábito de dar as coisas de sua família
deixou-a em apuros. Entretanto, nenhum castigo fora capaz de evitar
o florescer de sua compaixão inata. Sudhamani dizia a seus
pais: "O próprio propósito de meu nascimento é
o de sofrer pela ignorância dos outros."
Ao
alcançar a puberdade, o amor de Sudhamani pelo Senhor tomou
proporções indescritíveis. Seus humores extáticos
tornaram-se mais e mais freqüentes; ela dançava e cantava
em bem-aventurança, intoxicada de Deus e totalmente esquecida
do mundo. Aos olhos de Sudhamani, Krishna permeava todo o universo.
Não demorou muito até que entrou em união mística
profunda com seu Senhor, união tão completa, que ela
não era mais capaz de distinguir entre Krishna e ela mesma.
Um
dia, ela teve uma visão gloriosa da Divina Mãe do Universo
(Devi). Essa experiência seguiu-se de um estado sem fim de intoxicação
de Deus de tal intensidade, que dia e noite ela ficava afogada de
desejo pela união com a Divina Mãe. Sua família
e muitos dos aldeões ficavam completamente perplexos ao tentar
entender os estados sublimes da Sudhamani e começaram a atormentá-la
de todas as maneiras possíveis. Finalmente, ela foi forçada
a deixar sua casa e passar seus dias e noites ao relento. O céu
tornou-se seu teto e a terra, sua cama; a Lua, sua lâmpada e
a brisa do mar, seu ventilador.
Sudhamani
submergiu por meses a fio em práticas espirituais das mais
rigorosas e austeras. Todo o seu Ser queimava de amor e desejo ardente
pela Deusa. Ela beijava a terra e abraçava as árvores,
percebendo a Divina Mãe em tudo. Ela chorava ao toque da brisa,
percebendo-a como um carinho da Divina Mãe. Muitas vezes foi
encontrada imersa em samadhi por longas horas.