Sri Krishna
Em 3228 aC, em Mathura, na Índia, nasceu uma
criança que estava destinada a reformular o destino espiritual
e temporal da humanidade: Krishna. Em seus 125 anos de vida, Sri Krishna
deixou uma grande lição para a humanidade, que foi a necessidade
da consciência coletiva em re-educar o mundo sobre a devoção
e o dharma, como a realidade última da vida. Sua vida foi um
modelo para as pessoas do passado, do mundo atual e, certamente, para
aqueles de tempos que ainda virão. Enxergando Krishna como a
personificação perfeita da divindade, no dia de seu aniversário,
centenas de milhões de pessoas rezam para ele, cantam seus nomes,
meditam sobre sua forma e tentam colocar em prática seus ensinamentos.
Sua vida inspirou um tesouro de poesia, música, pintura, escultura
e outras artes. Como a Amma diz: "Sua glória é insuperável.
Sua história é uma fonte de alegria e inspiração
para as pessoas de todas as esferas da vida."
Uma criança, um irmão, um cocheiro, um
guerreiro, um discípulo, um guru, um vaqueiro, um mensageiro,
o amado das gopis... Ao longo de sua vida, Krishna exerceu muitos papéis,
o tempo todo, mas sem nunca se esquecer que eram apenas papéis,
e que sua verdadeira natureza era eterna, sempre consciente e feliz.
Desta forma, ele foi capaz de viver de maneira impecável, nunca
permitindo que o sorriso saísse de seu rosto. A Amma diz que
este talvez seja seu maior ensinamento.
"São muito poucos os que são capazes
de se alegrar tanto na vitória quanto na derrota", a Amma
diz. "Sri Krishna é aquele que celebra a vida e a morte.
É por isso que ele sempre foi capaz de estar com um grande sorriso.
Ele nasceu com um sorriso no rosto, viveu com um sorriso e deixou seu
corpo com um sorriso. A mensagem que ele transmitiu com sua vida é
que devemos tornar a vida repleta de sorrisos."
A vida de Krishna foi tão rica que seria impossível
contar tudo neste texto. Ela é relatada principalmente no Srimad
Bhagavatam, Garga Samhita, Vishnu Purana, Purana Brahmavaivarta, Mahabharata
e nos Puranas Harivamsa. No entanto, aqui estão alguns dos traços
gerais.
Krishna, na verdade, nasceu em uma cela de prisão.
Um sábio havia dito a seu tio egoísta, o rei Kamsa, que
ele (o rei) poderia ser morto pelo filho de sua irmã Devaki.
Então Kamsa prendeu Devaki e matou cada criança que ela
gerou. No entanto, Devaki e seu marido, Vasudeva, finalmente foram capazes
de esgueirar-se dos seguranças com um bebê. Era Sri Krishna.
Eles enviaram Krishna para longe, onde ele foi criado por uma mãe
adotiva, Yasoda. Foi em Vrindavan, uma das aldeias de Vraja, que Krishna
conquistou o coração das gopis, as vaqueiras da aldeia.
Ao passar todo seu tempo com as gopis de Vrindavan, brincar com elas,
roubando a sua manteiga e o leite, o que na verdade ele fazia era roubar
seus corações", conta Amma. Foi aí que foi
dado a Krishna o nome de "Chitta Chora" (aquele que rouba
a mente).
Kamsa enviou muitos assassinos para matar Krishna, mas
nenhum deles foi capaz de fazê-lo. E no final, Krishna retornou
para Mathura e matou Kamsa, restaurando o dharma no mundo.
Na verdade, Krishna nunca retornou para Vrindavan. A
dor da separação era insuportável para as gopis.
Então ele modificou suas mentes, fazendo com que cada pensamento
delas fosse sobre ele mesmo. Com isso, suas mentes foram purificadas
e lentamente foram capazes de ver seu amado em todas as coisas: nas
árvores, nos rios, nas montanhas, no céu, em todas as
pessoas e animais, e em si mesmas. Esta foi a realização
que Krishna tinha a intenção de trazer para as vidas das
gopis desde o início.
O fervor devocional das gopis por Sri Krishna é
melhor exemplificado pela dança rasa leela, onde cada uma das
centenas de gopis recebeu Krishna com oito anos de idade para dançar
com cada uma delas sozinha. A Amma diz: "A rasa leela não
ocorreu no plano comum dos sentidos, a forma como as pessoas hoje a
interpretam. Durante a rasa leela as gopis experimentaram a bem-aventurança
do jivatma (alma individual) se fundindo com o Paramatma (alma suprema,
Ser superior). Por causa de seu amor divino, o Senhor apareceu para
cada uma das gopis. Com seu poder, ele abençoou cada gopi com
a visão do divino."
Radha
foi a mais dedicada das gopis. Dela foi o maior amor, um amor que existiu
para inspirar a humanidade para cima, no caminho para Deus. Amma disse:
"o levantamento da Montanha Govardhana por Krishna criança
não foi o verdadeiro milagre, e sim o amor das gopis por Krishna."
O próximo papel importante na vida de Krishna
foi como amigo dos Pandavas, os cinco irmãos consagrados e virtuosos,
cujo reino foi usurpado por seus 100 meio-irmãos, os Kauravas,
que eram egoístas e adharmicos. Na eventual guerra entre os dois,
Krishna serviu como o cocheiro do Pandava Arjuna. E foi também
a Arjuna que ele aconselhou com os 701 versos do Bhagavad-Gita (a parte
central do Mahabharata). É no Gita que está o mais importante
registro de Krishna no mundo. De fato, algumas pessoas acreditam que
todo o propósito do nascimento de Krishna era entregar essa "Canção
do Divino". O Gita oferece a essência da espiritualidade
de uma maneira que o homem comum pode entender. Como o grande Swami
Chinmayananda disse muitas vezes: "Com o Gita, Sri Krishna trouxe
os conhecimentos dos Upanishads para baixo dos Himalaias e para os mercados."
Foi um verdadeiro manual para a vida entregue pelo próprio Senhor.
Amma mesma diz, "As pessoas estudam do Gita para se tornarem Sri
Krishna."
"Os ensinamentos do Senhor Krishna são adequadas
para todos", diz a Amma. "Ele não veio apenas por causa
de uma parte específica da sociedade. Ele mostrou a todos, até
mesmo às prostitutas, ladrões e assassinos, o caminho
para o progresso espiritual. Ele nos incentiva a viver de acordo com
nossos verdadeiros dharmas, permanecendo firmes nele, e, assim, avançando
na vida em direção ao objetivo final."
As instruções de Krishna não eram
apenas para os monges. Ele aconselhou a todos dentro de suas capacidades.
Sua instrução para Arjuna, na verdade, era para permanecer
no mundo, realizando seu dharma. "Sua vida foi um exemplo perfeito
de como permanecer ativo e intocado no meio do fogo mundano", conta
a Amma. "É como manter um pedaço de chocolate na
sua língua sem salivar... Ele mostra como vencer na vida, permanecendo
no meio de obstáculos. O Senhor não nos aconselhou a desviar
as nossas relações, a fim de alcançar a auto-realização.
Ele explica que devemos ser livres de todos os apegos nos mantendo amorosamente
em nossas responsabilidades familiares."
O Senhor Krishna deixou sua forma física aos
125 anos, nas mãos de um caçador. Mas ele morreu como
nasceu e como viveu: com um sorriso beatífico no rosto. Na verdade,
é dito que seu ato final foi para abençoar o caçador
que acidentalmente atirou nele, tal era seu amor.
Amma
diz: "Ao longo de sua vida, o Senhor Krishna teve que enfrentar
diversas crises que surgiram como ondas, uma após a outra. Mesmo
assim, em nenhuma vez seu rosto foi encoberto pela tristeza. Ele enfrentou
todas as dificuldades sob o sol, pois não havia lugar para tristeza
na presença de Sri Krishna. Ele era a personificação
da felicidade. Em sua companhia todos se alegraram, esquecendo todo
o resto. Em sua presença todos provaram a felicidade do Ser superior.
Mesmo agora, após todo esse tempo, simplesmente pensar nele não
é o suficiente para nos encher de felicidade?"