Semana 07/03/10
Rituais
Pergunta:
“Se tudo é permeado por Deus, o que não deve ser
adorado?”
Amma:
“Em tudo que você estiver envolvido, você deve pensar
em Deus. Este é o propósito por trás dos rituais.
Os rituais ajudam a promover bons hábitos e a dar uma orientação
à vida. Ainda assim, devemos ir além dos rituais, e
não permanecermos presos a eles até o dia da morte.
Os
rituais e outras cerimônias contribuem para limpar e purificar
a mente. Através deles e de outras práticas religiosas,
a mente, cheia de todos os tipos de maus pensamentos, tornar-se-á
boa e virtuosa. Quando isso acontecer, não pare, continue avançando
e supere essa etapa também. Se você se associar aos bons
e virtuosos, essa atitude se tornará um hábito e, consequentemente,
vasana.”
Pergunta:
“Mãe, os rituais de adoração formais são
necessários? Não é suficiente fazer um culto
mental?”
Amma:
“Será que a fome é apaziguada se você apenas
pensar em comida? Você não tem que comer? Nos estágios
iniciais da vida espiritual, puja e outras práticas rituais
são necessárias. Elas são uma forma de purificar
a mente.
A
natureza errante da mente pode ser controlada quando a mantemos envolvida
na recordação de Deus ou do Guru. Ao limpar o quarto
e os artigos de puja, ao escolher as flores, ao fazer uma guirlanda
ou ao fazer a adoração, a mente estará sempre
pensando em adorar ao Senhor. Este pensamento irá substituir
muitos pensamentos desconectados da mente e dará uma sensação
de quietude. Um local, horário fixo e materiais para a adoração
são necessários no início. Através da
prática constante, a pessoa chegará a uma fase em que
pode realizar um culto mental em todos os momentos e lugares, mas
isso é muito sutil e só é possível após
a mente tornar-se também sutil através da concentração
e da dedicação. Depois disso, a pessoa e torna capaz
de realizar todas as suas ações como um culto a Deus.
Não
se direcione ao sul quando você acender as lâmpadas de
óleo. Além disso, quando você acender o pavio
de uma lâmparina, faça-o no sentido horário em
volta da lâmpada, assim como você faz pradakshina (circunferência)
em volta do templo.
Quem
faz o ritual deve se tornar também a própria oferenda.
A atitude deve ser de entrega: 'Senhor, aqui, ao oferecer este ingrediente,
eu ofereço todos os meus apegos a Ti. Ó, Senhor, oferecendo
este ingrediente, eu ofereço todas as minhas aversões
a Ti. Eu queimarei todas essas coisas nesse fogo do conhecimento.
Aceite-os e purifique-me.’ Esta é a atitude correta.
Temos
que adquirir os pré-requisitos necessários de pureza
e maturidade mental antes de entrar no reino da Verdade Suprema, e
é isso que ganhamos através dos rituais. Uma vez que
a maturidade e a pureza sejam alcançadas, estamos prontos para
mergulhar no oceano de Sat-Chit-Ananda (Existência-Consciência-Beatitude),
e depois disso não há mais necessidade de uma ação
ou ritual. Enquanto estivermos envolvidos em alguma ação
ou realizando rituais, devemos ter em mente que o auto-conhecimento
é o objetivo final.
Os
rituais védicos e os mantras que fazem uma parte deles purificam
a atmosfera e beneficia da humanidade. Claro que eles fazem muito
bem, mas não podem ser comparados ao benefício imensurável
que recebemos de uma pessoa auto-realizada.
Não
importa o quão importantes ou valiosos sejam os rituais, o
buscador deve se esforçar para ir mais além deles e
experimentar a Verdade interior. Esse é o propósito
da religião: a consciência de que não existe um
deus ou deusa existente separadamente do nosso próprio Ser.”